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CÂNCER DE BOCA
A boca é um órgão muito importante na fala e na alimentação, dando início ao processo de digestão. Este órgão está exposto a vários fatores ambientais (fumo, álcool), os quais, junto à predisposição genética, podem desencadear o aparecimento de diversas lesões na cavidade oral, entre elas, o câncer.
O câncer de boca responde por aproximadamente 5% dos casos de câncer. A Estimativa de Incidência de câncer para 2005 no Brasil aponta este tumor como o 8º mais freqüente entre os homens (com 9.985 casos estimados) e o 9º entre as mulheres (com 3.895 casos estimados). O câncer de boca é uma denominação que inclui os cânceres de lábio e de cavidade oral (mucosa bucal, gengiva, palato duro, língua e assoalho de boca).
Os fatores de risco são: idade superior a 40 anos, o consumo de cigarros (tabagismo), de bebidas alcoólicas (etilismo) e, em especial, quando há associação de ambos. A má higiene oral e as próteses dentárias mal adaptadas, levando a um trauma crônico, são também considerados fatores de risco. Outro fator que predispõe ao câncer, mais especificamente de lábio, é a exposição exacerbada ao sol, podendo ser evitando através do uso de filtro solar. Uma dieta saudável, rica em frutas e verduras, representa, por outro lado, um fator de proteção .
O principal sintoma é o surgimento de uma ferida na boca que não cicatrize dentro de um prazo de duas semanas. Outros sintomas são ulcerações superficiais com menos de 2 cm de diâmetro e indolores, podendo sangrar ou não, e manchas esbranquiçadas não removíveis ou avermelhadas nos lábios ou na mucosa bucal. Dificuldade para falar, mastigar e engolir, além de emagrecimento acentuado, dor e presença de linfadenomegalia cervical (caroço no pescoço) são sinais de câncer de boca em estágio avançado.
Como as lesões da boca são facilmente visíveis, existe um grande potencial de diagnóstico precoce, ou seja, em fase inicial, passível de tratamento radical e cura, sem seqüelas significativas. No entanto, a realidade em nosso país é bem diferente. Em geral, os pacientes apresentam-se já com lesões avançadas, diminuindo a chance de cura e aumentando a agressividade do tratamento e sua mutilação. Prevenir é ainda o melhor remédio...
Para a prevenção pode-se lançar mão do auto-exame da boca, o qual deve ser feito uma vez por mês, necessitando de boa iluminação e de um espelho. Todas as pessoas devem realizá-lo, principalmente as que estiverem sob os fatores de risco supracitados. Estas pessoas deveriam ainda realizar uma consulta semestral em um médico e dentista para avaliação de rotina.
Quando detectadas, as lesões consideradas suspeitas são biopsiadas, ou seja, um fragmento do tecido suspeito é removido e enviado para exame microscópico realizado pelo patologista. O exame histopatólogico auxiliará na confirmação ou exclusão dessa lesão.
Uma vez confirmada a lesão como sendo câncer bucal, podem ser aplicados, isolada ou associadamente, os seguintes métodos de tratamento: cirurgia, radioterapia e quimioterapia. A escolha de um ou mais métodos dependerá de cada caso e serão levados em conta fatores como: extensão (tamanho), tempo de evolução e localização da lesão.
A cirurgia radical do câncer de boca evoluiu sobremaneira, com a incorporação de técnicas de reconstrução imediata, permitindo largas ressecções e uma melhor recuperação do paciente. As deformidades, porém, são ainda grandes e o prognóstico dos casos, intermediário. A quimioterapia é empregada nos casos avançados, visando à redução do tumor, a fim de possibilitar o tratamento posterior pela radioterapia ou cirurgia. O prognóstico nestes casos é extremamente grave, tendo em vista a impossibilidade de se controlar totalmente as lesões extensas, a despeito dos tratamentos aplicados.
Diante do exposto, faz-se necessário a difusão dos métodos de prevenção (auto-exame) e de controle do câncer de boca. Essa, sem dúvida, representa a principal forma de melhorar o perfil epidemiológico da doença no Brasil, diminuir a mortalidade e melhorar a qualidade de vida da população.
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